terça-feira, 17 de abril de 2007

Literatura & Música

Monte Castelo
Legião Urbana
Composição: Renato Russo



A leitura dessa música de Renato Russo tem como objetivo chamar atenção para a intertextualidade presente na obra. Quem não conhece ou, ao menos, nunca declamou os versos de Luís de Camões? E para aqueles que já ousaram ler a Bíblia seja como mera ficção ou como verdade religiosa pode desvendar em "Monte Castelo" uma passagem bíblica em Corínthios II. Vale a pena viajar por esse universo intertextual.







Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.

É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;

É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem.
Agora vejo em parte. mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.







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